Invenção do século: uma gangorra que gera energia

Invenção do século: uma gangorra que gera energia
Gangorra poderia iluminar uma classe em cinco minutos

Vejam só a importância da criatividade de um jovem britânico. Ele inventou uma gangorra que gera eletricidade suficiente para iluminar uma sala de aula, e vê no artefato uma solução para problemas de abastecimento em áreas da África.

A matéria publicada na BBC comenta a invenção:

A gangorra, concebida pelo estudante de design Daniel Sheridan, da Universidade de Coventry, na Grã-Bretanha, transfere a energia gerada pelo movimento ascendente e descendente da criança que brinca para uma unidade de armazenamento, através de um cabo subterrâneo.

O aluno recebeu o equivalente a pouco mais de US$ 10 mil para desenvolver a idéia em um concurso universitário e diz que pretende usar o dinheiro para criar um protótipo.

A inspiração para criar o artefato surgiu durante uma viagem para trabalhar como voluntário em uma escola no sul de Mombasa, no Quênia, no ano passado. O jovem de 23 anos ajudou a construir a escola e deu algumas aulas.

“Vimos muitas crianças que adoravam brincar, sua energia, sua vibração. Eu pensei que seria ótimo usar isso de alguma forma”, afirmou.

“A necessidade de energia elétrica na África Subsaariana é incrível. Sem energia, o desenvolvimento é extremamente difícil.”

“O potencial para este produto é enorme e o design poderia beneficiar várias comunidades na África e além.”

Sheridan calcula que cinco a dez minutos de uso da gangorra podem gerar eletricidade suficiente para iluminar uma sala de aula durante uma noite, por exemplo.

Muitas escolas na África que abrem suas portas no período noturno para alunos mais velhos são iluminadas apenas por velas e lâmpadas de querosene.

Mas, como a energia gerada pela gangorra pode ser armazenada, os seus proprietários podem decidir o quanto desejam utilizar a cada momento.

Agora Sheridan vai viajar para uma aldeia perto da cidade de Jinja, em Uganda, onde vai testar e finalizar o protótipo usando peças adquiridas localmente.

“Eu adoraria projetar um playground inteiro com peças diferentes de equipamento que podem gerar eletricidade suficiente para alimentar uma aldeia inteira.”


Especialistas sugerem planejamento regional para evitar desabastecimento de energia

Buenos Aires (Argentina) – O planejamento em nível regional, com ênfase na complementação energética, é o caminho apontado por especialistas para evitar crises de desabastecimento nos países sul-americanos. A Argentina corre risco iminente de desabastecimento, e o Chile depende do gás importado da Argentina. O Brasil, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), pode ter déficit de energia em dois anos. E todos seguem crescendo.

“O problema existe e é real, é um problema de crescimento e vamos ter necessidade de consumo maior do que temos. Temos que sentar todos na mesma mesa e tratar de buscar uma solução, ver como não esfriar as economias por falta de energia para avançar”, acredita Alberto Barbieri, decano da faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Buenos Aires e coordenador da empresa de consultoria e transferência de tecnologia energética Ubatec.

Tema prioritário, na sua avaliação, é ver como ajudar a Bolívia a explorar toda a sua potencialidade energética. Este ano, o país já avisou que não poderá cumprir o contrato de fornecimento que tem com a Argentina. Hoje, a Bolívia produz entre 35 e 40 milhões de metros cúbicos de gás por dia e apenas o contrato com o Brasil prevê fornecimento de 30 milhões. Cerca de 6 milhões são destinados a consumo interno.“Nós precisamos do gás da Bolívia e o Brasil também. Nós temos um convênio pelo qual exportamos gás para o Chile e é como um efeito cascata. É preciso ter inteligência para ver como nos ajudaremos nos momentos chave”, destaca.

Para o economista Dante Sica, ex-secretário de Indústria da Argentina e diretor da Consultoria Econômica Abeceb.com, a Bolívia afastou investimentos estrangeiros e agora Brasil e Argentina devem ajudar o país a recuperar credibilidade. “Hoje, a Bolívia não é um fornecedor confiável e creio que terá que desenvolver e trabalhar muito em conjunto com os países da região para poder alcançar esta categoria”, afirma. “Creio que nisto Argentina e Brasil terão que trabalhar de mãos dadas, e em especial o Brasil, para poder fazer os investimentos necessários na Bolívia a fim de garantir o fornecimento de gás para a região”, acrescenta Sica.

Na sua avaliação, a crise de abastecimento reflete a necessidade de um acordo ou tratado energético em nível regional. “A energia, pela importância que tem, deve deixar de ser vista como um problema nacional e tem que ser vista como um problema regional. A primeira questão é ajudar a democracia boliviana a consolidar-se a fim de que possa receber investimentos dos países vizinhos e garantir o normal fornecimento de energia”, diz o ex-ministro argentino.

Mas a redução dos investimentos na Bolívia não é o único empecilho para um tratado regional, alerta o economista. “É preciso ajudar a superar os conflitos territoriais entre Bolívia, Peru e Chile. Neste sentido, creio que o Brasil, como líder regional, tem um papel muito mais forte para tratar de ajudar estes países a solucionar suas diferenças”, defende.

Para Alberto Barbieri, a parceria com os países vizinhos também dá credibilidade à região junto aos investidores estrangeiros. “É importante mostrar ao mundo que estamos trabalhando em temas estratégicos de forma conjunta”, afirma. “Regionalmente temos que seguir juntos para que estrategicamente nos posicionemos no mundo e fortaleçamos o Mercosul”.

Mylena Fiori
Repórter da Agência Brasil