EBC, o segredo para uma televisão brasileira menos imbecilizante
Por Jackson Rubem | Em Comunicação | Tags: ebc, televisãoterça-feira 26-02-2008
Talvez a criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) resultado da união do patrimônio e das equipes da Empresa Brasileira de Comunicação (Radiobrás) e da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), que coordenava a TVE do Rio, seja o segredo para forçar as emissoras abertas a melhorar sua programação.
Atualmente, 90% do que se passa nas emissoras de televisão brasileiras não passa de lixo que vão desde novelas que estimulam o modismo imbecil (raras exceções), big brother que mais parecem macacos falando outro idioma, até noticiários onde se promovem políticos ladrões, bêbados irresponsáveis e os mais frios assassinos e ladrões do país.
Assistimos do início ao fim do país e não se ver uma notícia sobre um escritor lançando um livro. Talvez se o escritor matar algumas pessoas ou traficar drogas se torne merecedor de um espaço dos jornais televisivos da noite.
A TV pública foi discutida mais um vez em audiência pública no Senado, agora na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática. Além de representantes da empresa, a audiência teve a presença do ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, que elogiou a proposta do relator do projeto na Câmara, deputado Walter Pinheiro (PT-BA), de destinar à empresa recursos do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel).
A boa notícia intitulada Franklin Martins elogia proposta de recursos para EBC e publicada na Agência Brasil diz:
“É um aperfeiçoamento dos mais importantes colocado pelo relator Walter Pinheiro. O fundo já existe e não é totalmente gasto. Então, em vez de diminuir o fundo, por que não usá-lo para fins públicos?”, questionou.
Senadores da oposição voltaram a criticar a forma como a EBC foi criada, por pedida provisória, mas concordaram com relevância de um sistema público de comunicação para o país. Para o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), a TV pública deve ter “as portas fechadas para os excessos, a permissividade que se vê na TV comercial em novelas e outros programas inadequados para as crianças”.
O presidente do Congresso Brasileiro de Cinema, Paulo Rufino, disse que o setor vê com entusiasmo a chegada da TV pública. “Queremos muito que ela, finalmente, saia do sonho dos cineastas, principalmente porque ela vem ao encontro da inclusão da produção independente de conteúdo, seja das várias regiões do Brasil, seja dos cineastas da indústria em geral, na grade”. Rufino ressalta que a nova TV, diferente das demais, tem esse compromisso.
A diretora de Jornalismo da EBC, Helena Chagas, disse que a nova empresa se baseia no tripé pauta, povo e praça, sempre com foco no cidadão e na variedade regional. Segundo ela, com pouco tempo no ar, o telejornal Repórter Brasil já é retransmitido em 18 estados. “Isso mostra como o brasileiro estava sedento de se ver na TV”, comentou. Um vídeo ilustrando algumas coberturas e debates realizados nos quase três meses em que o jornal da TV Brasil está no ar foi mostrado, recebendo elogios dos parlamentares.
A presidente da empresa, Tereza Cruvinel, disse que tem ouvido que não é mais o momento de se fazer uma TV pública, avaliação com a qual não concorda: “É tempo de TV pública. Países como México, Argentina e Equador estão desenvolvendo seus sistemas públicos de comunicação. O governo francês vai gastar esse ano U$ 7 bilhões com a empresa pública de comunicação do país”.
O texto principal da Medida Provisória 398, que cria a EBC, foi aprovado na Câmara dos Deputados na última terça-feira (19), por 336 votos a favor, 103 contrários e três abstenções. Hoje serão votados os destaques que visam a alterar a proposta.
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